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terça-feira, 22 de maio de 2018

Reportagem da Revista Natureza sobre frutíferas raras. As fotos foram tiradas em nosso pomar pessoal na cidade de Casa Branca -SP.

http://revistanatureza.com.br/desconhecidas-e-saborosas/ 

Confira as frutíferas pouco conhecidas que merecem lugar no seu pomar. Muitas são, inclusive, nativas aqui do Brasil

Texto Vinicius Casagrande | Fotos Valerio Romahn | Produção Aida Lima
Pode procurar na feira e até no supermercado: por maior que seja a variedade de frutas, você não vai encontrar o achachairu, a pitanguaba, a guabiraba e muito menos a pera-do-campo. É que, embora muito saborosas, essas espécies não são produzidas em escala comercial: para saboreá-las, só mesmo plantando um pé no jardim de casa.
As mudas são vendidas por produtores como Luís Bacher, da Dierberger (www.fazendacitra.com.br), Edilson Giacon, da Ciprest Mudas e Plantas (www.ciprest.com.br), e o engenheiro agrônomo Adhemar Gomes da Silva Neto, do viveiro Frutas Raras (www.frutasraras.com). Conheça melhor algumas delas.

Achachairu (Garcinia humilis

O achachairu, que em guarani quer dizer beijode-mel, uma referência ao sabor adocicado e levemente ácido de seu fruto, faz um sucesso danado na Bolívia, de onde é endêmico. Ele nasce em uma árvore de até 12 m de altura e deve ser colhido no exato momento em que está no ponto para o consumo. É que, ao contrário dos frutos de outras espécies, que continuam amadurecendo após a colheita, uma vez tirado do pé, ele mantém seu estado inalterado – mas permanece bom para o consumo por até 15 dias. Rico em potássio, vitamina C e ácido fólico, é ingerido in natura ou usado no preparo de sucos, licores,
sorvetes e doces.
De clima tropical, a espécie pode ser plantada da Amazônia até o estado de Santa Catarina e, embora resista bem ao frio, seu crescimento é menor nessa condição. Ela começa a frutificar seis anos após o plantio, que deve ser feito em solo ligeiramente ácido,úmido e bem drenado.

Uma vez colhido, o achachairu para de amadurecer. Sua polpa doce e levemente ácida é sucesso na Bolívia, mas pouco conhecida por aqui

Pitanguaba (Eugenia selloi)

Com a casca cheia de sulcos, os frutos da pitanguaba até parecem pitangas amareladas. Mas só parecem: basta uma mordida para descobrir que o gosto deles está mais mesmo para o da manga. Eles começam a despontar a partir do segundo ano de vida da planta e, ao chegar à idade adulta – cerca de dez anos após o plantio –, um único exemplar da frutífera é capaz de produzir entre mil e 2 mil frutos por ano.
Segundo o engenheiro agrônomo Adhemar Gomes da Silva Neto, do viveiro Frutas Raras, o arbusto endêmico das restingas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo pode medir entre 1 m e 3 m de altura e é típico de clima tropical, mas se adapta ao cultivo em boa parte do país. Por enquanto seu plantio está restrito aos pomares domésticos, mas ele tem grande potencial paisagístico – especialmente como cerca viva e em vasos – e para a produção de frutos em escala comercial.

Por fora, o visual do fruto lembra o das pitangas. Já o sabor da polpa remete ao gosto da manga
Wampi (Clausena lansium)
Taí uma planta que divide opiniões: com sabor ácido e ao mesmo tempo uma boa dose de doçura, a wampi é do tipo de fruto que “ou se ama ou se odeia”, diz o engenheiro agrônomo e produtor Adhemar Gomes da Silva Neto. Sua casca é castanhoamarelada e, em seu interior, em meio à polpa, encontram-se de duas a cinco sementes bem grandes.
Nativo do Sudeste Asiático, o arbusto de até 6 m de altura pertence à mesma família dos cítricos e pode ter flores brancas ou amarelas, que se agrupam em cachos de até 50 cm de comprimento. Ele se adaptou muito bem ao clima subtropical da região de São Paulo e, embora ainda seja desconhecido de grande parte da população, seu cultivo tem crescido bastante nos últimos anos no interior do estado.

De sabor ácido e ao mesmo tempo adocicado, a wampi é daqueles frutos que ou se ama ou se odeia. Grande parte de seu interior é ocupado pelas sementes

Sapota-branca (Casimiroa edulis)

Por ser parente dos cítricos, era de se esperar que o sabor da sapota-branca puxasse mais para o azedo. Mas não, ela tem polpa adocicada e, no final, deixa um gostinho levemente amargo na boca. A textura também chama a atenção: é intermediária, entre a da pera e a da maçã – daí a espécie também ser conhecida como maçã-mexicana – e, quando os frutos estão bem maduros, chegam a ficar cremosos.
Muito consumida in natura, a sapota-branca pode ser usada no preparo de sucos, geleias e compotas. Deve-se apenas tomar o cuidado de retirar suas sementes tóxicas – tarefa nem um pouco complicada, uma vez que as sementes são grandes.
Em sua região de origem – do leste do México até o sul da Costa Rica –, a árvore pode chegar aos 14 m de altura, mas em pomares não costuma passar dos 8 m. Ela é típica de clima tropical e, por conta da copa ampla e da necessidade de se plantar ao menos dois exemplares – um masculino e outro feminino, para que haja a polinização cruzada –, seu cultivo é indicado apenas em grandes terrenos.

Guabiraba (Campomanesia lineatifolia)

Encontrada em quase toda a região amazônica, a guabiraba é uma frutífera difícil de se ver em pomares brasileiros – e isso inclui os da região Norte. É uma pena, pois além de muito gostosos – há quem diga que, com seu sabor acidulado, eles estão entre as guabirabas mais saborosas – eles têm eficácia comprovada cientificamente no tratamento de distúrbios gastrointestinais.
A árvore que dá origem à guabiraba pode medir até 10 m de altura e exibe folhas com textura similar à do couro, cada uma com até 18 cm de comprimento. De setembro a novembro, surgem as grandes flores, que podem brotar sozinhas ou aos pares. Já entre os meses de fevereiro e abril, é época de os frutos atingirem o ponto ideal para a colheita. Mas isso vale apenas para sua região de origem – quando cultivado em outras áreas a guabiraba pode frutificar em épocas distintas.
Típica de clima tropical úmido, a espécie se adapta a uma boa variedade de climas – há registro de sucesso em seu plantio inclusive no Rio Grande do Sul.

Apesar de se adaptar bem a uma boa variedade de climas, a guabiraba quase não é cultivada em pomares, nem mesmo em sua região de origem

Pera-do-campo (Eugenia klotzskiana)

Umidade não é o forte da pera-do-campo. Nativa dos cerrados e campos que vão desde a Bahia até o Mato Grosso do Sul, ela precisa tanto de solo bem drenado quanto de ar seco para crescer saudável. Daí a dificuldade de ela se desenvolver bem em vasos e em regiões muito chuvosas – e, quem sabe, a explicação para ser tão raro encontrála em pomares domésticos.
O arbusto de até 1,5 m de altura e ramos prostrados produz frutos de sabor acidulado e levemente adstringente. Com formato semelhante ao das peras, eles medem entre 8 cm e 10 cm, têm casca fina e polpa espessa, carnosa e suculenta. Podem ser consumidos ao natural, na forma de geleias ou usados na preparação de sucos.
A pera-do-campo se reproduz por sementes e cresce lentamente: são necessários cerca de três anos para que ela começe a frutificar. A melhor época para colhê-los é entre os meses de dezembro e janeiro.

A pera-do-campo é endêmica do Cerrado brasileiro e tem horror ao excesso de umidade, tanto no solo quanto no ar

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